Quem comanda a Igreja enquanto o papa Leão 14 se recupera de cirurgia no pulmão?
Após o diagnóstico do pontífice, entenda o papel do secretário de Estado e o que a Igreja prevê caso seu líder máximo não possa tomar decisões

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por Yaya Souza
O Papa Leão 14 passou por uma cirurgia de 90 minutos no Hospital Gemelli, em Roma, para retirar o lobo inferior do pulmão direito.
O procedimento ocorreu após a confirmação do diagnóstico de câncer pulmonar na terça-feira (13).
Segundo boletim médico divulgado pelo Vaticano, o pontífice de 71 anos teve uma noite tranquila, retomou a alimentação normal, começou a caminhar e realizou fisioterapia respiratória.
O quadro de saúde trouxe incertezas sobre viagens programadas ao Uruguai, Argentina e Peru, além de suscitar dúvidas sobre a rotina de comando da Igreja Católica. Afinal, quem assume a Igreja na ausência do papa?
Atuação da Cúria Romana e limites de poder
A liderança papal abrange as esferas religiosa, administrativa e diplomática. Quando o líder não atua presencialmente, a administração recai sobre a Cúria Romana.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, opera como uma espécie de "primeiro-ministro", encarregado de supervisionar os temas administrativos e diplomáticos.
A autoridade do secretário de Estado possui restrições, já que Parolin não pode tomar decisões reservadas ao pontífice. Entre essas atribuições exclusivas estão a nomeação de bispos, a aprovação de canonizações e as mensagens direcionadas aos fiéis às quartas-feiras e domingos.
Lacunas no direito canônico
O direito canônico estabelece regras detalhadas para os casos de morte ou renúncia, mas apresenta um vazio normativo quando o papa permanece vivo sem condições de exercer suas funções.
O Cânone 335 aborda a hipótese de a Santa Sé ficar "vacante ou totalmente impedida", sem definir o significado prático desse impedimento nem determinar medidas específicas.
Nas dioceses, o Cânone 412 prevê que o comando seja transferido para um bispo auxiliar quando o titular estiver doente. Essa regra não se aplica ao papado. Quanto à abdicação, a legislação eclesiástica exige que ela seja "livre e manifesta", a exemplo da decisão tomada por Bento 16 em 2013.
Em 2021, especialistas propuseram que o Colégio de Cardeais assumisse a gestão da Igreja e instituísse um comitê médico para revisar a saúde papal a cada seis meses. O Vaticano não adotou a medida, mantendo a ausência de um mecanismo formal para situações de incapacidade prolongada.










