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Quem vai ganhar as midterms? Os gráficos que mostram como a eleição dos EUA será decidida

Uma análise aprofundada das principais pesquisas, disputas eleitorais e questões que antecedem a eleição nesta terça-feira que definirá os dois últimos anos de Trump como presidente.

Quem vai ganhar as midterms? Os gráficos que mostram como a eleição dos EUA será decidida
(crédito: BBC)

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Via Correio Braziliense

Os americanos irão às urnas nesta terça-feira (3/11) para decidir como será o restante do mandato de Donald Trump na Presidência.

Milhares de disputas eleitorais serão realizadas em todo o território dos Estados Unidos, em diferentes níveis de governo. Mas o principal evento para os eleitores será a escolha dos integrantes da Câmara dos Representantes e do Senado, as duas Casas que compõem o Congresso.

Ambas são atualmente controladas pelos republicanos, partido do presidente. O sucesso ou o fracasso dos dois últimos anos de Trump no cargo pode depender do resultado dessas eleições.

Este é nosso guia visual de onde a disputa pelo poder será decidida — das taxas de aprovação às principais disputas eleitorais e questões em debate, passando pela enorme quantia de dinheiro que está sendo gasta.

Eleições de meio de mandato chegam em momento ruim para Trump

Uma das razões pelas quais os democratas da oposição têm chance de recuperar o controle do Congresso é a baixa taxa de aprovação do presidente, um bom indicador do desempenho que seu partido pode ter nas eleições.

Trump começou seu segundo mandato com uma taxa de aprovação pouco acima de 50%, segundo o site de pesquisas Silver Bulletin, mas o índice caiu rapidamente para a faixa dos 40%.

No fim de fevereiro deste ano, quando Trump decidiu lançar ataques aéreos contra o Irã, em conjunto com Israel, a aprovação estava em torno de 42%. Pouco depois, caiu para menos de 40%. Atualmente, está em cerca de 38%.

Há oito anos, neste mesmo momento de seu primeiro mandato, a taxa de aprovação de Trump era significativamente maior: 43%. A de Joe Biden, no mesmo ponto de seu mandato, era de 40%. Nos dois casos, o presidente em exercício perdeu o controle da Câmara nas eleições de meio de mandato, mas manteve o Senado.

As baixas taxas de aprovação de Trump ajudam a explicar por que os democratas esperam conquistar as duas Casas do Congresso e por que estão de olho em Estados onde os republicanos venceram de forma consistente nos últimos anos.

A disputa pela Câmara

A atual maioria republicana na Câmara dos Representantes, a Casa baixa do Congresso, é frágil: os republicanos têm 218 representantes, exatamente o número necessário para controlar a Casa, além de um parlamentar independente que vota com eles.

Os integrantes da Câmara têm mandatos de dois anos, por isso todas as 435 cadeiras estarão em disputa.

Mas a maioria dos distritos eleitorais não é considerada competitiva, porque o partido que os ocupa tem apoio tão sólido que há apenas um provável vencedor.

O Cook Political Report, que analisa campanhas e eleições, estima que apenas 18 distritos estão em disputa acirrada e podem ser vencidos por qualquer um dos partidos.

Dos 18 distritos considerados indefinidos, 14 são atualmente ocupados por republicanos e quatro por democratas. Mas, mesmo que os democratas não conquistem nenhum deles, ainda vencerão a disputa pela Câmara se levarem as 36 cadeiras classificadas como provavelmente democratas ou com vantagem para os democratas.

Historicamente, as eleições de meio de mandato registram muitas trocas de partido na Câmara, geralmente como forma de protesto contra a Casa Branca. A média de cadeiras perdidas pelo partido do presidente é de 27, segundo dados que remontam a 1934. Das 23 eleições realizadas desde então, o partido do presidente só ampliou sua representação em três.

A disputa pelo Senado

Os republicanos têm um controle um pouco mais sólido do Senado. Eles ocupam 53 das 100 cadeiras, enquanto os democratas têm 45 e contam com dois independentes que também votam com eles.

Os senadores têm mandatos de seis anos, por isso cerca de um terço das cadeiras é submetido a eleições a cada dois anos.

Trinta e cinco cadeiras estarão em disputa nesta terça-feira, mas uma análise do Cook Political Report indica que apenas sete delas estão em disputa acirrada e podem ser conquistadas por qualquer um dos partidos.

Desses distritos indefinidos, seis são atualmente ocupados por republicanos e um por um democrata.

Para chegar a 51 cadeiras e assumir o controle do Senado, os democratas precisariam conquistar quatro dessas vagas, além das quatro classificadas como provavelmente democratas ou com vantagem para os democratas.

Mas conquistar a maioria não será uma tarefa fácil para os democratas.

Eles precisam manter a cadeira em Michigan, onde algumas pesquisas indicam que a disputa está mais acirrada do que os democratas gostariam, entre Abdul El-Sayed, um candidato de esquerda de fora da política tradicional, e seu adversário republicano Mike Rogers, aliado de Trump e ex-agente do FBI.

Também precisariam conquistar cadeiras em Estados onde Trump venceu por uma margem de dois dígitos em 2024, incluindo Alasca, Iowa e Ohio.

Mas as pesquisas indicam que eles têm chance, até mesmo no Texas, onde o ex-professor James Talarico pode se tornar o primeiro democrata a conquistar uma cadeira no Senado pelo Estado desde 1988, caso derrote Ken Paxton, atual procurador-geral do Texas e aliado próximo de Trump.

Quais são as principais questões para os eleitores?

Trump prometeu "acabar com a inflação e tornar a vida mais acessível nos Estados Unidos" durante sua campanha eleitoral de 2024, mas o custo de vida está se mostrando a principal preocupação dos eleitores.

O presidente declarou com orgulho que a gasolina estava "agora abaixo de US$ 2,30 [R$ 12,50] por galão na maioria dos Estados", em seu discurso sobre o Estado da União, em 24 de fevereiro. Mas a guerra com o Irã começou quatro dias depois, interrompendo o fornecimento de energia do Oriente Médio e fazendo o preço da gasolina chegar a US$ 4 (R$ 21,75) nos EUA.

A guerra se tornou cada vez mais impopular à medida que suas consequências repercutiam pelo mundo e, por fim, pesavam no bolso dos consumidores americanos. Uma pesquisa realizada em agosto constatou que 63% dos entrevistados desaprovavam a maneira como Trump conduzia a situação.

Outras questões que os eleitores dizem ser importantes incluem saúde e imigração.

Trump tem destacado recentemente suas políticas de imigração como um grande sucesso, citando números de travessias da fronteira significativamente menores do que nos últimos anos.

Muitos candidatos democratas estão concentrando a campanha nos altos custos dos planos de saúde nos EUA e no impacto da legislação de Trump sobre o acesso ao sistema de saúde.

Trump pode desafiar a lógica da política?

A maioria dos sinais aponta para um bom resultado dos democratas nas eleições de meio de mandato, mas, se os republicanos conquistarem mais cadeiras do que o esperado, não será a primeira vez que Trump e seu partido terão um desempenho melhor do que o indicado pelas pesquisas.

Uma das poucas vantagens dos republicanos é sua enorme vantagem financeira.

Em meados de outubro, o Comitê Nacional Republicano e grupos aliados tinham cerca de US$ 320 milhões (R$ 1,74 bilhão) disponíveis em caixa, enquanto os democratas tinham pouco menos de US$ 230 milhões (R$ 1,25 bilhão).

Além disso, os republicanos também contavam com mais de US$ 160 milhões (R$ 870 milhões) em recursos do grupo MAGA Inc., de Trump, principal braço de arrecadação e gastos do movimento político Make America Great Again ("Faça a América Grande Novamente").

Os republicanos estão usando essa vantagem financeira para comprar anúncios.

Mais de US$ 1 bilhão em anúncios políticos foram exibidos para eleitores americanos em setembro, segundo a empresa de pesquisa AdImpact. Os republicanos gastaram US$ 200 milhões a mais que os democratas e superaram os gastos deles em quase todas as disputas para o Senado classificadas como acirradas.

Trump espera que essa ofensiva publicitária de última hora ajude a convencer os republicanos a comparecer às urnas em novembro, aumentando a participação e limitando os danos a ele e a seu partido.

Seja qual for o resultado, a atenção logo se voltará para a próxima eleição presidencial, em 2028. A impopularidade de Trump dominou as eleições de meio de mandato, mas, como ele está constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato, o foco passará a ser aquilo que os democratas defendem, e não apenas aquilo a que se opõem.

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