Quem foi Dolly Parton, a lenda do country que atravessou gerações
Cantora atravessou mais de seis décadas de carreira, vendeu 100 milhões de discos e influenciou nomes do pop como Miley Cyrus, Beyoncé e Katy Perry

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Dollly Parton, um dos maiores nomes da música country, morreu nesta terça-feira (25/8), aos 80 anos, depois de construir uma carreira que atravessou mais de seis décadas.
Embora tenha se tornado uma referência musical com sucessos como Jolene, 9 to 5 e I Will Always Love You, a cantora também encontrou uma forma de chegar a públicos mais jovem. Nas últimas décadas, o reportório e a imagem passaram a circular entre algumas principais estrelas do pop.
Uma das pontes mais evidentes foi Miley Cyrus. Além de ser afilhada, a jovem cresceu tendo Dolly por perto e chegou a contracenar com ela em episódios da série Hannah Montana. A relação também avançou para a música. Em 2017, Dolly participou de Raibowland, faixa do álbum Younger Now de Miley Cyrus.
A parceria ganhou ainda mais visibilidade em 2019, quando as duas dividiram o palco do Grammy para cantar Jolene. A apresentação fez parte de uma homenagem à carreira de Dolly que também reuniu artistas como Katy Perry, Kacey Musgraves e Maren Morris.
Beyoncé transformou Jolene para uma nova geração
Outra aproximação importante veio com Beyoncé. Durante a preparação para de Cowboy Carter, álbum em que a artista mergulhou nas raízes da música country, ela regravou Jolene, um dos maiores clássicos de Dolly.
A versão foi lançada em 2024 e creditou Dolly como compositora da música. Antes do lançamento, a própria cantora country havia contado que tinha autorizado a regravação e demonstrado entusiasmo com a possibilidade de Beyoncé interpretar a faixa.
Kesha também levou Dolly para o pop
Antes de Beyoncé, Kesha já havia aproximado o repertório de Dolly de uma audiência mais jovem. Em 2017, as duas gravaram juntas Old Flames (Can't Hold a Candle to You), faixa que Kesha incluiu no álbum Rainbow. A música havia sido um sucesso na voz de Dolly décadas antes.
A colaboração tinha ainda um componente familiar: a canção foi escrita pela mãe de Kesha, Pebe Sebert, em parceria com Hugh Moffatt. A gravação de 2017, portanto, reuniu Dolly e a filha da compositora de um de seus sucessos.
Dolly também se tornou presença recorrente em projetos que dialogavam com a música pop e com artistas de outras gerações. Em 2019, por exemplo, além de Miley, Katy Perry e Kacey Musgraves participaram da homenagem à cantora no Grammy.
Do Tennessee para o mundo
Dolly Rebeccas Parton nasceu em 19 de janeiro na cidade de Pittman Center, no estado do Tennnesse (EUA). Ela era uma das 12 crianças de uma família que enfrentou dificuldades financeiras.
Em entrevista à revista norte-americana People, em 1977, ela lembrou a infância: “Nunca passamos fome de verdade, mas, às vezes, não tínhamos o suficiente para comer”.
O contato com a música começou desde cedo. Aos 6 anos ela já tocavas violão e cantava para o avô. No ano seguinte, começou a escrever as próprias canções. Depois de concluir o ensino médio, mudou-se para Nashville, em 1964, onde passou a se apresentar em clubes e a compor para outros artistas.
A carreira solo veio acompanhada de uma sucessão de sucessos que se tornaram clássicos. Entre eles estão Jolene, 9 to 5 e Coat of Many Colors. Ao longo da trajetória, Dolly vendeu maios de 100 milhões de discos e se consolidou como uma das artistas mais importantes da música country.
Dolly também se tornou presença recorrente em projetos que dialogavam com a música pop e com artistas de outras gerações. Em 2019, por exemplo, além de Miley, Katy Perry e Kacey Musgraves participaram da homenagem à cantora no Grammy.
Música, cinema e literatura
A atuação de Dolly não ficou restrita à música. Ela também construiu uma carreira no cinema, com participações em filmes como Flores de Aço, e levou a trajetória para outros formatos de entretenimento.
Fora dos palcos, a cantora também ficou conhecida pelo trabalho filantrópico, Por meio da Imagination Library, projeto criado para estimular a leitura infantil, milhões de livros foram distribuídos gratuitamente para crianças.
A combinação entre música, cinema, negócios e filantropia fez com que sua influência ultrapassasse o country. Para artistas que chegaram ao estrelato décadas depois, Dolly deixou de ser apenas uma referência musical.
Morte de Dolly Parton
A morte da cantora foi comunicada por seu sobrinho, Brian Seaver, nas redes sociais. Segundo ele, a própria Dolly havia pedido que uma mensagem fosse divulgada após sua morte.
“Este anúncio em vídeo é algo que Dolly me pediu anos atrás, antes que eu assimilasse completamente a realidade. Como chefe de segurança dela por mais de duas décadas, cargo que meu pai, Larry, ocupou antes de mim, imaginei a intensidade deste momento, mas só agora a senti de verdade”, afirmou.
Ele também destacou a relação da cantora com a fé e com a família.
“É uma honra, uma honra que se mistura com absoluto orgulho e grande tristeza. Mas a tristeza está conosco, não com Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, certamente recebida por Carl, seus pais e inúmeras outras pessoas que a observaram e ansiaram por encontrá-la nos céus”, completou.
Dolly havia perdido o marido, Carl Thomas Dean, em março de 2025, aos 82 anos. Poucas semanas antes de sua morte, ela havia contado à People que enfrentava “alguns problemas de saúde” que havia deixado de lado enquanto cuidava do companheiro.
Por Letícia Passos - Correio Braziliense









