Molécula elimina parasita da malária sem resistência
Em testes, novo composto eliminou o parasita do sangue infectado e impediu o desenvolvimento de resistência, um passo crucial para novos remédios

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Via Correio Braziliense
Uma nova molécula, identificada como 2d, demonstrou ser capaz de eliminar o parasita da malária sem desenvolver resistência em testes de laboratório e com animais. O avanço é resultado de um trabalho de um grupo internacional de pesquisadores que contou com a participação do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.
O estudo, publicado na revista ACS Infectious Diseases, representa um passo inicial para o desenvolvimento de novos medicamentos contra a doença. Os cientistas produziram e testaram um conjunto de 18 moléculas em laboratório, a partir de compostos já utilizados no tratamento da malária.
Segundo o professor Rafael Victório Carvalho Guido, do IFSC, a malária continua sendo uma das doenças infectocontagiosas mais letais do mundo, afetando a saúde pública e a economia de regiões tropicais. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em 2025, a doença causou mais de 282 milhões de casos e cerca de 610 mil mortes, com 75% das vítimas sendo crianças menores de 5 anos.
O tratamento padrão atual combina medicamentos com derivados da artemisinina, mas sua eficácia está ameaçada pela disseminação de parasitas resistentes. Vacinas disponíveis oferecem proteção parcial e de baixa eficácia, o que torna urgente a busca por novos fármacos.
Novos compostos em teste
A pesquisa buscou modificar a estrutura química de substâncias conhecidas, como a pironaridina e a quinacrina, para criar compostos mais potentes e seguros. As 18 moléculas sintéticas foram projetadas em laboratório tendo como modelo medicamentos antimaláricos já existentes.
Os compostos foram testados contra cepas do parasita Plasmodium falciparum resistentes a múltiplos remédios e também em amostras de pacientes da Amazônia. A molécula 2d, a mais promissora, foi testada em amostras de P. falciparum e P. vivax de pacientes em Porto Velho (RO), eliminando os parasitas com eficácia.
Imagens de microscopia revelaram que o composto 2d age rapidamente, acumulando-se perto do vacúolo digestivo do parasita. Ali, impede que o organismo neutralize um resíduo tóxico gerado na digestão do sangue, causando a morte do parasita por envenenamento.
Outra molécula, a 5a, atacou a mitocôndria do parasita, sua "usina de energia", mostrando que a nova família química pode agir por mecanismos distintos.
Em testes com camundongos infectados, o tratamento oral com o composto 2d eliminou completamente os parasitas da circulação sanguínea, resultando em 100% de sobrevivência dos animais após 30 dias. Além disso, não houve desenvolvimento de resistência à molécula nos ensaios.
Para que o composto se torne um medicamento, ele precisa passar por mais etapas. O processo inclui a otimização de suas propriedades, testes de toxicologia e ensaios clínicos em humanos para avaliar segurança e eficácia, até a aprovação por agências reguladoras, como a Anvisa no Brasil.
Com informações do Jornal da USP*
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.










