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Lula reforçará defesa da soberania na Assembleia da ONU nesta terça

Discurso do presidente abrirá o debate dos chefes de Estado em Nova York. Segundo o chefe do Executivo, Trump afirmou a interlocutores que não vai interferir nas eleições do Brasil

Lula reforçará defesa da soberania na Assembleia da ONU nesta terça
Crédito-Reprodução

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Por Francisco Artur de Lima e Armando Holanda

No discurso que fará, nesta terça-feira, na tribuna da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reforçar a defesa da soberania brasileira e mandar recados contra tentativas de interferência externa em assuntos do país.

O petista fará o tradicional discurso de abertura do debate de chefes de Estado, em Nova York, e será sucedido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A soberania deve funcionar, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, como um dos fios condutores da manifestação. A expectativa é de que Lula defenda o respeito às decisões de cada país, ao direito internacional e às instituições multilaterais, além de sustentar que divergências entre governos precisam ser resolvidas pela via diplomática. A reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, também estará nas declarações.

O discurso ainda poderá abrir espaço para as disputas comerciais com Washington. O governo brasileiro enfrenta uma nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos, e Lula tem defendido que o Brasil continuará negociando enquanto houver possibilidade de entendimento.

A tendência, porém, é de que o petista evite transformar a tribuna da ONU em palco para um embate com Trump. Integrantes do governo indicam que as divergências com Washington deverão aparecer de maneira mais ampla, inseridas na defesa do multilateralismo, da autonomia dos países e de relações comerciais baseadas em regras. A avaliação é de que esse formato permite ao presidente responder às ações norte-americanas sem reduzir uma manifestação de alcance internacional a uma disputa bilateral.

Lula pretende acompanhar o discurso de Trump. Apesar da presença dos dois líderes no evento, até o momento não há previsão de uma reunião bilateral entre eles.

Nessa segunda-feira, Lula afirmou que, a interlocutores, Trump assegurou que não vai interferir nas eleições brasileiras. Ele classificou a postura como "boa" e declarou que o pleito é um assunto local. O chefe do Planalto também voltou a dizer que o republicano "age como um imperador" por adotar práticas comerciais unilaterais.

As declarações ocorreram em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN dos EUA, em Nova York. Lula enfatizou que as eleições brasileiras não devem ter ingerência da Casa Branca. "Ele (Trump) já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras. E é bom que ele tenha dito isso. É bom que ele aja assim. Esse é o papel que espero de um presidente", frisou. "Eu disse ao presidente Trump que é muito importante que os EUA não se metam nas eleições brasileiras, isso é extremamente importante. As eleições brasileiras são do interesse do povo brasileiro, e as eleições dos EUA são do interesse do povo americano. Não quero que os EUA tenham qualquer tipo de interferência. Há alguns indícios de interferência, de uso de inteligência artificial", acrescentou, sem entrar em detalhes.

Uma possível interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial do Brasil é cogitada por integrantes do Planalto. Relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto de 2026 a autoridades federais e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elevou para "nível de criticidade" o risco de influência e ingerência norte-americana no pleito.

De acordo com Lula, nas eleições haverá a escolha entre a democracia e a barbárie. "A verdade é que o que está em jogo hoje no Brasil não é uma escolha entre pessoas ou partidos. O que está em jogo hoje é uma escolha entre ter democracia ou barbárie. Ou temos uma política de preservação da natureza ou o desmatamento; uma política de inclusão social ou o abandono dos pobres; o fortalecimento da cultura ou o fim da cultura. É isso que está em jogo agora."

Ao ser questionado sobre a disputa apertada contra Flávio Bolsonaro — presidenciável do PL —, identificada pelas pesquisas de intenção de voto, Lula repetiu ter certeza de que sairá vitorioso, mas admitiu preocupação com o pleito.

"Tenho certeza de que vou vencer as eleições, porque o Brasil precisa de democracia. E é por isso que vou vencer as eleições: porque fizemos tudo o que precisava ser feito em termos de políticas de inclusão social, educação e saúde. Ninguém fez mais do que nós nessa área. Portanto, agora cabe ao povo escolher", destacou.

Lei do mais forte

Ele também voltou a criticar a sobretaxa de até 37,5% imposta pelos EUA a produtos brasileiros. "Acho que essas tarifas foram baseadas em mentiras. O Brasil tem um deficit comercial de muitos bilhões de dólares com os EUA", disse.

Lula defendeu o "multilateralismo" como forma de manter a "harmonia" nas relações comerciais entre os países. "O comportamento do presidente Trump tem um viés muito forte em favor do unilateralismo. Isso é muito perigoso", afirmou. "O comércio tem que ser uma coisa equilibrada."

Perguntado se mantém a posição de que Trump age como um imperador, o presidente brasileiro afirmou, com um sorriso, em tom de brincadeira: "Ele age como um imperador".

"É uma forma de governar (de Trump) com a qual não concordo: 'Sou mais forte, sou o mais rico, posso tudo, e todos os outros têm que obedecer'. É a lei do mais forte", ressaltou.

Na conversa com a jornalista, Lula ainda tratou de reciprocidade nas negociações com os EUA. Ele frisou que o Brasil mirou a busca de novos parceiros econômicos para suprir o comércio com os Estados Unidos em meio à vigência do tarifaço.

"Não vou apenas tentar chorar pelo leite que foi derramado no chão. Vou procurar outros parceiros para tentar comprar e vender. É assim que eu faço na política também. E nós podemos aplicar a lei de reciprocidade com os EUA", pontuou.

O chefe do Executivo afirmou que é muito cauteloso ao tratar dessa legislação e que não pretende aplicá-la enquanto houver negociações. Também destacou que não há intenção de confrontar ou desafiar Trump, nem de interferir em questões domésticas do seu país, mas que a gestão norte-americano não pode governar outros países. "Eu gosto de respeitar e de ser respeitado", disse. (Com Agência Estado)

 


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