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Câncer ginecológico: os sinais e cuidados para cada tipo

Colo do útero, endométrio e ovário têm formas diferentes de prevenção, diagnóstico e tratamento; especialista explica o que merece atenção

Câncer ginecológico: os sinais e cuidados para cada tipo
(crédito: Magnific )

Por Redação Clube FM - Brasília

- Atualizado

Via Correio Braziliense

Os cânceres do colo do útero, do endométrio e do ovário fazem parte do grupo de tumores ginecológicos, mas apresentam características bastante diferentes. Enquanto o primeiro oferece oportunidades de prevenção e identificação de lesões antes do desenvolvimento do tumor, o segundo costuma dar sinais por meio de sangramentos anormais. Já o câncer de ovário pode evoluir de forma mais silenciosa, dificultando a identificação da doença em fases iniciais.

As diferenças foram discutidas durante o 4º Fórum de Políticas Públicas para o Câncer Ginecológico, realizado em 9 de setembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro reuniu médicos, gestores, representantes do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), sociedades médicas, organizações de pacientes e parlamentares.

Entre os participantes estava a oncologista e especialista em Oncogenética e Oncologia de Precisão do Hospital Santa Lúcia, Andreza Souto. Médica dedicada ao tratamento de tumores da mama e ginecológicos, ela participou da mesa “Transformando a Linha de Cuidado da Mulher: do Diagnóstico Precoce à Medicina de Precisão”.

Colo do útero

Entre os três tipos, o câncer do colo do útero é o que apresenta maiores oportunidades de prevenção. A maioria dos casos está relacionada à infecção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano, o HPV, transmitido principalmente pelo contato sexual.

A infecção é comum e, na maioria das pessoas, desaparece espontaneamente. Em alguns casos, porém, o vírus permanece no organismo e pode provocar alterações nas células. Essas lesões podem evoluir ao longo dos anos até chegar ao câncer. “Existe uma janela muito longa em que podemos identificar e tratar lesões precursoras antes que elas se transformem em um câncer invasivo”, afirma Andreza.

A vacinação contra o HPV tem como principal objetivo proteger as novas gerações, enquanto o rastreamento busca identificar mulheres que apresentam alterações que precisam ser acompanhadas. Nesse cuidado, o teste de DNA-HPV como método primário de rastreamento é apontado como uma mudança importante por permitir identificar a presença do vírus por meio de um exame de alto desempenho.

A estratégia também está relacionada à meta 90-70-90 da Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê 90% das meninas vacinadas contra o HPV até os 15 anos, 70% das mulheres rastreadas com teste de alto desempenho e 90% das mulheres com lesões precursoras ou câncer identificados recebendo tratamento adequado. “A vacinação protege as novas gerações, enquanto o rastreamento identifica precocemente as mulheres que já estão sob risco, e o acesso ao diagnóstico e ao tratamento impede que uma alteração detectada evolua para o câncer”, explica a oncologista.

Sangramento pode ser sinal de alerta

O câncer de endométrio surge no tecido que reveste a parte interna do útero. Diferentemente do câncer do colo do útero, não há um exame de rastreamento indicado rotineiramente para todas as mulheres. Por isso, a atenção às mudanças apresentadas pelo corpo tem papel importante na investigação. O principal sinal é o sangramento uterino fora do padrão habitual.

O sintoma pode ter outras causas e não significa, por si só, a presença de um tumor. Ainda assim, deve ser avaliado por um profissional de saúde, principalmente quando ocorre após a menopausa. “Muitas vezes, o primeiro sinal é o sangramento uterino, especialmente após a menopausa, e esse sintoma precisa gerar investigação rápida. Sangramento depois da menopausa nunca deve ser banalizado”, alerta Andreza.

Antes da menopausa, alterações persistentes no padrão menstrual e episódios de sangramento incomum também devem ser investigados. A avaliação médica é necessária para identificar a origem do sintoma.

Ovário pode evoluir de forma silenciosa

No câncer de ovário, o desafio está justamente na dificuldade de reconhecer a doença em suas fases iniciais. As manifestações podem ser pouco específicas e, por isso, alterações persistentes ou que se tornam mais frequentes precisam ser avaliadas.

Depois da confirmação do diagnóstico, o tratamento depende de características como o tipo do tumor e a extensão da doença. Em parte dos casos, a cirurgia citorredutora — procedimento que busca retirar a maior quantidade possível do tumor — é uma etapa central. “O diagnóstico costuma ser mais silencioso, e uma das questões fundamentais é garantir que a paciente tenha a oportunidade de ser operada em um centro especializado, porque a cirurgia citorredutora adequada é uma das partes centrais do tratamento”, explica a médica.

A definição da melhor estratégia de cuidado também leva em conta fatores individuais. Idade, histórico pessoal e familiar e características específicas de cada paciente podem influenciar as avaliações indicadas e até a necessidade de investigação genética ou de estratégias personalizadas.

Mesmo sem sintomas, o acompanhamento ginecológico permite avaliar questões como vacinação, rastreamento, histórico familiar e exames indicados para cada fase da vida. Para mulheres que estão há anos sem procurar atendimento, a recomendação da especialista é retomar o cuidado sem esperar pelo aparecimento de um sinal mais evidente. “Eu diria para ela não esperar aparecer um sintoma para procurar atendimento. Retome seu cuidado agora. Procure uma unidade de saúde ou seu ginecologista, veja quais exames estão indicados para a sua idade e histórico e não normalize sintomas que possam representar um alerta”, orienta Andreza.

Debate em Brasília

O fórum realizado na Câmara dos Deputados também resultou na Carta de Brasília pela Saúde da Mulher 2026, documento que reúne recomendações formuladas nas três mesas de debate sobre prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento dos cânceres ginecológicos.

O Congresso Nacional recebeu ainda iluminação especial em apoio à campanha Setembro em Flor, voltada à conscientização sobre esses tumores. Para Andreza, a discussão buscou abordar o cuidado de forma integrada, desde a prevenção até o tratamento.


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