Cacique Raoni é diagnosticado com câncer e recebe cuidados paliativos
Instituto diz que tratamento busca preservar qualidade de vida. Líder kayapó permanece em assistência domiciliar perto da aldeia

Por Redação Clube FM - Brasília
- Atualizado
Por JORGE ABREU
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cacique Raoni Metuktire, 94, foi diagnosticado com câncer do aparelho digestivo e passa por tratamento paliativo. O caso foi confirmado nessa segunda-feira (14/9) pelo instituto que leva seu nome e atua na proteção dos direitos dos povos indígenas na Bacia do Rio Xingu.
O cacique permanece sob uma "estrutura de assistência domiciliar" em Peixoto de Azevedo, município de Mato Grosso, próximo à aldeia amazônica onde vive há décadas.
"Cuidados paliativos não significam ausência de tratamento", mas a busca pela "melhor qualidade de vida possível", afirmou o instituto.
O líder kayapó enfrentou neste ano uma série de problemas de saúde que o levaram a internações em Mato Grosso e São Paulo. Devido à idade avançada, ele teve que passar por procedimentos menos evasivos, mas chegou a ser submetido a uma cirurgia.
No dia 15 de julho, o líder kayapó recebeu alta do Hospital São Paulo, da Unifesp, após quase um mês de internação para tratar uma obstrução intestinal e complicações decorrentes do quadro clínico.
Durante a internação na Unifesp, o cacique chegou a ser levado para a UTI após um episódio de hemorragia digestiva em junho. Dias depois, voltou para a enfermaria, mas apresentou um segundo sangramento em 10 de julho, além de uma leve piora da função renal e tosse com secreção.
Ele deu entrada na unidade paulista em 19 de junho com obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. No dia seguinte, foi submetido a uma cirurgia de desobstrução para manutenção do trânsito intestinal. Ao longo da internação, também passou por dois procedimentos para conter hemorragias digestivas.
De acordo com o hospital, o líder kayapó apresentou evolução clínica favorável e recebeu alta em condição estável. A unidade não informou, na época, os detalhes sobre o tratamento que foi mantido durante a recuperação.
Antes de chegar a São Paulo, Raoni estava internado no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT). Ele havia sido transferido da região de Peixoto de Azevedo após apresentar episódios de vômito, tosse persistente e dores abdominais.
A transferência para a capital paulista foi definida para dar continuidade ao tratamento especializado e ao acompanhamento cirúrgico. Ele viajou por meio de uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso.
Reconhecido internacionalmente pela defesa da amazônia e dos povos originários, Raoni tornou-se uma das principais lideranças indígenas do país e uma referência na luta pela proteção dos territórios tradicionais e da floresta.
Nascido na aldeia Kapot (MT), o líder indígena afirmou que só teve contato com um homem não indígena por volta dos 20 anos. Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting na amazônia, iniciou uma série de viagens internacionais e se consolidou como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta amazônica.
Como Raoni não foi registrado ao nascer, a data exata de seu nascimento é desconhecida. A partir de seus relatos, o antropólogo Fernando Niemeyer calcula que o cacique seja de 1937, mas não há confirmação oficial sobre isso.










